E porque há tempo para tudo, também há tempo para mudar.
....mudar de vida
....mudar de sentimentos
....mudar de pensamentos.
E porque começar de novo é apenas um passo que se dá, quando realmente existe a fome de sobreviver, forma de querer continuar aquilo que foi deixado para trás.
Há dias que acordo com raiva, há dias que simplesmente acordo a pensar no que aconteceu, outros que acordo com o pensamento no futuro. Porque um novo eu tem que ser construido mesmo que custe. Mas nada custa quando existe a esperança. Vontade de querer deixar para trás tudo o que aconteceu e recordar aquilo que foi bom. Acredito que irá acontecer muita coisa boa, assim como, provavelmente, má. Mas de que é a vida feita se não forem estes dois ingredientes: açúcar e sal? Não sobrevivem um sem o outro e ninguém neste mundo é perfeito.
Tenho esperança que, algum dia, longe ou perto, a minha vida tome um rumo diferente daquilo que ela é. O passado começa a libertar-se e o futuro entra pela janela, assim como o raio de sol.
Amigos não são coisa que me orgulhe dizer que tenho, se calhar fiz para perder os que tinha. Talvez como um acto de "vingança" pelo que me estão a fazer. Má fama é o que não me deve faltar. Mas no fundo eu entendo. Não estive lá quando era suposto dar uma mão amiga, quando era suposto ajudar. Ou mesmo eu não o tive quando passei mal, foi uma troca de atitudes. Mas agora sei: "não faças aquilo que não gostes que te façam". Não vou dizer que me arrependo, porque o tempo não volta atrás, mas peço desculpa. Mesmo sem ter culpa, fui culpado.
É a lei da vida. Por muito que eu gostasse de falar ou gritar, seria inabalavel aos olhos de alguns. Porque a raiva é algo que não se controla e é um sentimento que bloqueia quando alguém insiste em pedir desculpa.
Sabem que mais? É tempo de olhar para a frente.

Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!
Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!
E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!
Florbela Espanca